Seu Jorge fala sobre ataques racistas em Porto Alegre: “Não reconheci a cidade que aprendi a amar”


Seu Jorge foi contratado para realizar um show no jantar de comemoração à reinauguração de um salão do Grêmio Náutico União. Foto: Arquivo/Michael Loccisano Foto: Michael Loccisano/Getty Images


O cantor Seu Jorge utilizou as redes sociais, na noite desta segunda-feira, 17, para comentar os ataques racistas que sofreu durante uma apresentação no clube Grêmio Náutico União, em Porto Alegre (RS), na última sexta-feira, 14. Em vídeo intitulado ‘Meu Rio Grande do Sul’ e com a bandeira do estado ao fundo, o artista relatou como tudo aconteceu, destacou o desencanto com a capital “que aprendeu a amar” e conclamou todos a uma luta antirracista. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o caso.


“A verdade é que eu estava bastante empolgado porque já fazia um certo tempo que não me apresentava em Porto Alegre com a minha banda”, disse o cantor no vídeo. Seu Jorge foi contratado para realizar um show no jantar de comemoração à reinauguração de um salão do Grêmio Náutico União. As injúrias raciais foram proferidas enquanto ele e a banda se preparavam para o “bis”.


Ele relatou que, após ouvir as vaias e xingamentos ao final do show, retornou ao palco sozinho, agradeceu a presença de todos e se despediu. “Não reconheci a cidade que aprendi a amar e respeitar. Não era a cidade que eu conhecia, dos inúmeros shows com as bandas amigas. Na verdade, o que eu presenciei foi muito ódio gratuito e muita grosseria racista”, detalhou.


As denúncias vieram à tona no fim de semana, pelas redes sociais, após internautas que estavam presentes no evento afirmarem que parte do público teria gritado ofensas depois de o músico convidar um jovem negro para tocar no palco e fazer um breve discurso contra a redução da maioridade penal e em defesa de jovens negros de comunidades brasileiras. Em um dos relatos, uma pessoa diz que foram feitos sons de macaco e que alguém teria gritado palavras como “vagabundo” e “safado”. No vídeo, o cantor ainda comentou que os únicos negros que visualizou no evento se tratavam de funcionários, o quais estariam impedidos de interagir com o cantor.


Seu Jorge também aproveitou o pronunciamento para agradecer o apoio que recebeu. “Quero aqui agradecer imensamente o carinho e suporte que recebi de toda a gente de Porto Alegre que se sensibilizou com o que aconteceu e me mandou mensagens de apoio a mim e de repúdio ao comportamento de alguns no clube”, comentou. E acrescentou que a conexão dele com os gaúchos não será rompida. “Agora estaremos bem mais fortes e unidos cada vez mais na luta intensa contra o racismo e toda forma de preconceito e toda forma de discriminação”, garantiu.


O artista relembrou a luta antirracista e conclamou todos a se unirem a ele nesse combate.



“Nunca, jamais, curvaremos ao racismo e à intolerância, seja ela qual for. Não cederemos um milímetro sequer ao ódio e combateremos e cobraremos das autoridades que a justiça prevaleça e os criminosos sejam devidamente punidos. A lei é pra ser cumprida. E assim conclamo a grande nação afro-brasileira a se integrar aos movimentos sociais brasileiros que existem mais próximos da sua cidade”, disse Seu Jorge.


Após a repercussão do caso, o Grêmio Náutico União publicou uma nota oficial, afirmando que está “apurando internamente os fatos” e que, se comprovado o crime, os “envolvidos serão responsabilizados”. “Ressaltamos que Seu Jorge foi o artista escolhido considerando sua representatividade na cultura nacional e pelo reconhecimento internacional, e destacamos nosso respeito ao profissional e a seu trabalho”, dizia a nota assinada pelo presidente do clube, Paulo José Kolberg Bing.


Por: Estadão - (Letícia França).


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